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quarta-feira, 18 de outubro de 2017

"Milarepa" de Eric-Emmanuel Schmitt

Creio nāo ter demorado uma hora a ler este livro e, no entanto, ele atingiu-me com uma seta de que nāo estava à espera. Bom, o que me atingiu mesmo fortemente foi o ódio que é vivido por um dos personagens em relaçāo a um outro! Está descrito com um sentimento muito forte, quase palpável. Como pode um livro tāo pequeno transmitir tanto?
      Um tio que odeia mortalmente o sobrinho, sem que, aparentemente, exista razāo para tal. O sobrinho que, vendo-se o objeto desse ódio, tudo faz para retribuir na mesma medida. Mas, a dada altura, a reviravolta é brutal e a procura do bem torna-se uma constante.
      Mas para além desse ódio há também o purgar dessa raiva. E a história repetida mil e uma vezes para que a purga se faça. 
      Um livro, um conto, que nos fala da vida e da morte, do amor e do ódio. Para pensar.

Terminado a 12 de Outubro de 2017

Estrelas: 4*

Sinopse
Todas as noites, Simon tem um sonho recorrente. É a reencarnação do tio de Milarepa, o famoso iogue tibetano do século XI. Para quebrar os ciclos infinitos de reencarnação, Simon terá de contar a história de Milarepa e do seu tio, que nutria pelo sobrinho um ódio implacável, identificando-se com eles até ao ponto em que a sua identidade se funde com a deles. Mas onde começam os sonhos e termina a realidade? Neste livro, que é simultaneamente simples e maravilhoso, um conto no espírito do budismo tibetano, Eric-Emmanuel Schmitt traz-nos os temas mais importantes para o espírito humano: a vida, o amor, a morte, o bem e o mal.

Cris

terça-feira, 17 de outubro de 2017

A Convidada escolhe: "A Louca da Casa"

A Louca da Casa, Rosa Montero, 2003

Este é o quarto livro que leio desta escritora e jornalista madrilena. Posso dizer que é uma escritora que me enche as medidas, leio-a com muito agrado e este é mais um livro surpreendente. É um livro repleto de citações, de referências a autores e às suas vidas, um livro que apetece sublinhar, copiar frases…
É uma reflexão sobre a literatura, a vida, a morte, as vidas que se vivem/ocultam dentro do narrador, sobre a imaginação, a loucura, a paixão, o poder, a vaidade, o mercado… em suma, a diversidade de temas que as vidas da escrita implicam e que ela tão bem conhece enquanto pessoa para quem, escrever e ler é como respirar.

Se em “Histórias de Mulheres”, Rosa Montero nos dera a conhecer histórias pouco ou nada conhecidas de mulheres, a partir da leitura de biografias ou diários, em “A Ridícula Ideia de não voltar a ver-te” desvenda-nos o diário que Marie Curie escreveu no ano a seguir à morte de Pierre Curie, em “A Louca da Casa” revela-nos detalhes curiosos e inusitados de vários escritores célebres como Rimbaud, Paul Verlaine, Hemingway, Tolstoi, Goethe, Melville, Truman Capote, Joseph Conrad, Oscar Wilde, García Márquez e tantos outros, ilustrando com as suas vidas, defeitos e qualidades os temas que aborda ao longo do livro. Dos portugueses faz referência a José Luís Peixoto (ps. 16 e 17) – “… estas agruras são compensadas com a fabulação criativa, com as outras vidas que os romancistas vivem na intimidade das suas cabeças. José Peixoto, um jovem narrador português, batizou estes propósitos de existência como os «e se…». E tem razão, a realidade interior multiplica-se e excede-se assim que nos apoiamos num «e se…»” – para introduzir o tema da imaginação (a louca da casa como lhe chamava Santa Teresa de Jesus), aquela que salta fora da rigidez e lucidez escrupulosa da razão.
Neste livro que é quase um diálogo com o leitor/a, a autora questiona-se, por exemplo, sobre o destino de algumas personagens reais que deram origem a personagens literárias; refere os fantasmas inconscientes que a perseguem e que são recorrentes nos seus textos; a insatisfação do escritor/a que quer sempre ser nomeado e, em última instância, aspira à eternidade não é senão um sinal de vaidade; num mundo dominado pelo mercado promovem-se os bestsellers tantas vezes sucessos de momento que não ficarão para a história e é sabido que um livro, que tenha poucas vendas e seja considerado um fracasso editorial, terá a guilhotina como destino.
Rosa Montero também fala de si como escritora e, embora deteste a tendência para se arrumar e catalogar a literaura e os/as escritores/as, identifica-se como “raposa a 100%” em oposição a autora-ouriço, pois tenta não se conformar, nem repetir. “Nunca se contentou com o que sabia” seriam as palavras que gostaria que um dia escrevessem na sua crenologia! E diz-nos como detesta aquelas perguntas que lhe fazem com imensa frequência sobre se há uma escrita de mulheres e sobre se ela se sente como escritora ou como jornalista… Ela que é antissexista e escritora e também jornalista aproveita para falar daquelas grandes escritoras que tiveram de se esconder debaixo dum nome de um homem para escrever e das muitas mulheres de escritores que tantas vezes foram tidas como musas… mas que não poucas vezes foram verdadeiras criadas e secretárias insubstituíveis para que os maridos viessem a brilhar como grandes escritores!
A certa altura Rosa Montero confia-nos um episódio que ela, jovem jornalista e um famoso actor de cinema,  protagonizaram há muitos anos. Talvez para nos recordar que a louca da casa anda à solta e que não podemos esquecer “… as quantidades de vidas diferentes que podem existir numa só vida…”, essa mesma história do tempo em que Rosa era uma jovem jornalista hippy em princípio de carreira vai surgir em dois momentos distintos do livro, baralhando-nos com desenvolvimentos e finais completamente diferentes e hilariantes.
“E se…” como diria José Luís Peixoto, Martina a “obscura irmã gémea” de Rosa que surge amiúde no livro não passar de uma personagem criada por Rosa Montero para nos recordar que autor e narrador são duas figuras distintas?
Quando acabo um livro gosto sempre de voltar ao princípio. Lê-se na dedicatória:

Para Martina, que é e não é.
E que não sendo, me ensinou muito.”

Outubro 2017
Almerinda Bento

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

"Uma Coluna de Fogo" de Ken Follett

Os Pilares da Terra foi um dos primeiros livros que li de Ken Follett (talvez mesmo o primeiro!) e soube logo que este autor teria sempre um lugar cativo na minha estante. Adorei a sua escrita, o trabalho de pesquisa que se adivinha por detrás das palavras e o enredo sempre verosímel em que as "suas" personagens coabitam com personagens reais. Seguiu-se Um Mundo Sem Fim e agora, ao fim de dez anos, termina a trilogia com Uma Coluna de Fogo. Creio que nāo minto ao dizer que qualquer dos livros pode ser lido separadamente mas se conseguirem lê-los por esta ordem, melhor será. O espaço temporal segue uma linha que importa obedecer.
      Que dizer? Levei tempo demais a lê-lo, eu sei, mas deveu-se ao seu peso, volume completamente anti-transportável. Essa foi a única razāo da demora das quase três semanas em que só conseguia pegar nele ao fim do dia.
      De resto, nada a apontar! Voltei de novo a Kingsbridge, desta feita o periodo narrado vai dede1558 até 1606 e navegamos por uma Inglaterra (e restante mundo) onde protestantes e católicos travam lutas religiosas que mais nāo sāo que guerras de poder. "Servir a Deus" e "vontade de Deus" era uma boa desculpa para mandar para a fogueira quem estivesse no lugar errado da religiāo (fosse ele qual fosse!). Jogos de poder onde a espionagem e as acçōes clandestinas tinham um papel importante nessas lutam que pareciam nāo ter fim.
      Ned Willard é um dos personagens centrais. Aquele pelo qual giram muitos outros, reais e fictícios. E sāo mesmo muitos os personagens mas isso nāo torna confusa a leitura. Esse facto é devido, sobretudo, à escrita de Follett, descritiva q.b. mas sem ser sensaborona, com vários focos de interesse ao mesmo tempo e detentora de uma pesquisa extraordinária que se vislumbra nos pormenores da caracterizaçāo dos personagens fictícios, tornando-os tāo reais quanto poderiam ser, caso tivessem existido.

Um livro completo, um livro de leitura obrigatória. 

Terminado em 11 de Outubro de 2017

Estrelas: 6*

Sinopse
Natal de 1558. O jovem Ned Willard regressa a Kingsbridge, e descobre que o seu mundo mudou. As velhas pedras da catedral de Kingsbridge contemplam uma cidade dividida pelo ódio de cariz religioso. A Europa vive tempos tumultuosos, em que os princípios fundamentais colidem de forma sangrenta com a amizade, a lealdade e o amor. Ned em breve dá consigo do lado oposto ao da rapariga com quem deseja casar, Margery Fitzgerald. Isabel Tudor sobe ao trono, e toda a Europa se vira contra a Inglaterra. A jovem rainha, perspicaz e determinada, cria desde logo o primeiro serviço secreto do reino, cuja missão é avisá-la de imediato de qualquer tentativa quer de conspiração para a assassinar, quer de revoltas e planos de invasão. Isabel sabe que a encantadora e voluntariosa Maria, rainha da Escócia, aguarda pela sua oportunidade em Paris. Pertencendo a uma família francesa de uma ambição brutal, Maria foi proclamada herdeira legítima do trono de Inglaterra, e os seus apoiantes conspiram para se livrarem de Isabel. Tendo como pano de fundo este período turbulento, o amor entre Ned e Margery parece condenado, à medida que o extremismo ateia a violência através da Europa, de Edimburgo a Genebra. Enquanto Isabel se esforça por se manter no trono e fazer prevalecer os seus princípios, protegida por um pequeno mas dedicado grupo de hábeis espiões e de corajosos agentes secretos, vai-se tornando claro que os verdadeiros inimigos ? então como hoje ? não são as religiões rivais. A batalha propriamente dita trava-se entre aqueles que defendem a tolerância e a concórdia e os tiranos que querem impor as suas ideias a todos, a qualquer custo.

Cris

sábado, 14 de outubro de 2017

Na minha caixa de correio

  


 

Ofertados pelo Clube do Autor: Olifaque, A Cicatriz do Mal e O Bibliotecårio de Paris.
Comprados em 2a māo, Retrato de uma Senhora e Diário de um Velho Louco.

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

A Escolha do Jorge: "A Porta"


"O melhor presente que se pode dar a alguém é impedi-lo de sofrer." (p. 135)

Em boa hora a editora Cavalo de Ferro recuperou “A Porta” da húngara Magda Szabó (1917-2007,) reeditando-o no mês de Setembro! Este romance intenso, tanto quanto electrizante deixa o leitor desconcertado e inquieto ao longo de toda a narrativa.
      Emerence, a personagem principal, austera no vestir, no falar e nas atitudes, capta a atenção do leitor desde a sua aparição, deixando este num estado de delírio e de estupefacção e, outras vezes, de incredulidade. Emerence era porteira de um prédio de um bairro na periferia de Budapeste e era conhecida pela sua força física e por ser exímia na forma como desempenhava as suas funções. Emerence trabalhava igualmente na lida da casa de várias famílias, mas é com Magda, a escritora, que ficamos a conhecer a vida e a integridade de Emerence, dado que esta empregada exerceu funções em sua casa durante quase duas décadas.
Sempre dura, quase sempre com um discurso próximo da crueldade, o leitor quase é levado a pensar que Emerence não tem quaisquer sentimentos, nem expectativas no que concerne à raça humana.
      Passado no segundo após-guerra, Magda, a narradora-escritora, dá-nos conta do que foi construindo em matéria de conhecimento sobre Emerence. A sua história, os seus segredos, as razões, no fundo, da sua rigidez e inflexibilidade perante tudo e todos.
      Para quem tudo perdeu durante o período nazi (antes e durante a guerra) e nada beneficiando, nem bendizendo dos russos (depois da guerra), Emerence arrasa as duas ditaduras, sem clemência e sem pudor, reduzindo o mundo ou a sociedade, melhor dizendo, a duas categorias, “aqueles que varrem e os que mandam varrer”. Banidas e extinguidas com um ódio visceral, as ditaduras de extrema-direita e de extrema-esquerda, Emerence reconstrói a sua vida com uma tal rigidez cristã, para lá dos valores estabelecidos pela moral calvinista, edificando para si própria uma nova ditadura como forma de se proteger de tudo e de todos.         Durante décadas, Emerence impôs sobre si própria este modelo inflexível, dentro da sua casa, a “cidade proibida” a que Magda várias vezes alude e que ninguém entra. “A Porta” desta “cidade proibida” é o que separa os dois mundos, a vida dos outros e a de Emerence, com os seus objectos e os seus gatos. E Viola, o cão, cuja guarda era partilhada com Magda e o marido. A bem da verdade, Viola estava de tal forma “educado” que era o discípulo de Emerence naquela que era a sua conduta austera. Ninguém, mas absolutamente ninguém, é convidado a passar para lá da porta, nem se deve aproximar. Emerence ataca com palavras e com o machado, se for caso disso…
      Mas há segredos por contar, há telhados de vidro, há fragilidades, medos, no fundo… Emerence por muito dura e inflexível perante si mesma e os outros, não deixa de ser vítima do tempo, o deus chronos, que, na verdade, é o único deus que respeita. "Se Emerence acreditava em algum facto, era no tempo, na sua mitologia pessoal, o Tempo era a mó de um moinho eterno, cuja moega vazava os acontecimentos da vida no saco que cada um trazia. Ninguém lhe escapava, segundo a crença de Emerence, que estava persuadida, mas sem compreender, que moía também o trigo dos mortos e enchia o seu saco, só que havia alguém que trazia a farinha às costas para se fazer o pão." (p. 126)
      E Emerence adoece… Magda e a vizinhança percebem que a velha senhora deixa de conseguir estar sozinha, precisando de cuidados médicos, hospitalares. Magda vê-se a braços com uma situação que lhe provocará temor e tremor, além de um sentimento de culpa e de remorsos, tendo em consideração o conflito moral que dali nasce. A doença de Emerence traz o desabar de todo o mundo, o universo que esta criou, mas também a vergonha perante a possibilidade de descoberta por parte dos vizinhos. É este jogo de verdade-mentira com que a vizinhança passa a lidar com Emerence como forma ou tentativa de a manter viva. Mas por quanto tempo? Mas não se faz esperar um desabafo final, uma última tortura da parte de Emerence porque esta não cede assim tão facilmente, é obstinada e orgulhosa. Magda tem ainda de ser atacada, uma vez mais, face à iminência de toda uma comunidade descobrir em que moldes funcionava o seu mundo, a sua ideologia, a sua ditadura. "— Ora, vá-se embora — disse Emerence, calmamente. — Não comprou casa e, todavia, pedi-lhe, e quantos tesouros lhe destinava para a mobilar; não teve filhos, e, todavia, prometi-lhe que os educaria. Reponha o aviso na porta, não quero ver ninguém que foi testemunha da minha vergonha. Se me tivesse deixado morrer, como eu estava decidida quando compreendi que já não seria capaz de efectuar um verdadeiro trabalho, eu velaria por si além-túmulo, mas agora já não suporto a sua presença. Vá-se embora." (p. 215)
      Sentimentos de culpa, remorsos, inquietação, perturbação são estados de espírito que Magda descreve sobre a relação de quase vinte anos com Emerence, mas, simultaneamente, o sentimento de gratidão da parte de alguém, frágil perante a imagem austera, que deu tanto a uma comunidade e que, no fundo, era o melhor exemplo de cristã sem que frequentasse a igreja aos domingos para de livrar dos pecados.
      “A Porta” de Magda Szabó é indubitavelmente uma obra-prima da literatura contemporânea, em que dificilmente esqueceremos Emerence, para o bem e para o mal. É, pois, um romance que conduz o leitor a reposicionar-se perante os valores instituídos pela sociedade, dando a ideia da possibilidade de utopias, quando não existem, mas a crença de um mundo melhor através de pessoas cuja personalidade, temperamento e valores, as torna sólidas.
      Ao longo da obra, compreendemos algumas das razões pelas quais Magda Szabó esteve impedida de publicar no seu país, quando a Hungria era parte integrante da “Cortina de Ferro”. Não há ditadura que não apresente fragilidades, que não cometa atrocidades, que não iniba os cidadãos de pensar, criticar. Não há ditadura que, na devida altura não desabe, sendo arrasada, inevitavelmente, transformando-se num mundo novo, numa nova ordem, reflexo do motor da História.
      “A Porta”, publicada em 1987, é a obra que conduz ao reconhecimento da escritora em termos internacionais, sendo o livro publicado em mais de 30 países. Em 2013, o romance foi adaptado ao cinema, pelo realizador Istvan Szabó, tendo Helen Mirren o papel de Emerence.

Texto da autoria de Jorge Navarro

Novidade "Edição Independente" de Gonçalo Dias

Manual de um Homicídio
de Gonçalo J. Nunes Dias

Marina, uma mulher de 38 anos com um relacionamento desgastado, apaixona-se por um colega de trabalho, casado e com um filho. Os dois têm uma relação tórrida. Um deles comete um assassinato.
      Oscar, um polícia de homicídios, é encarregue do caso. É um homem dedicado ao seu trabalho e à sua família, que goza e brinca com as típicas series policiais norte-americanas.


Entre os dias 12 a 16 de outubro, o livro estará disponível grátis, em qualquer formato digital,  na Amazon e no blogue do autor.
Está também a decorrer um “giveaway” de um exemplar em papel no Goodreads até 5 de novembro.

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

A Convidada escolhe: O Plano Infinito

O Plano Infinito, Isabel Allende, 1991


Este é um dos livros iniciais de Isabel Allende e, à semelhança dos anteriores, foca-se de forma pormenorizada na caracterização de personagens e no acompanhar dos seus percursos de vida. Ao longo das quatro partes em que é dividido o romance, Isabel Allende, ao mesmo tempo em que nos dá a conhecer a vida de Gregory Reeves, faz um retrato dos Estados Unidos da América, da vida dura dos imigrantes vindos do México, do racismo e da segregação, do proliferar de seitas que arrastam multidões, dos anos loucos do amor livre e das drogas que marcaram a geração hippy, da carnificina que foi a guerra do Vietname de onde a América saiu derrotada e envergonhada, dos protestos dos movimentos pacifistas e anti-racistas e por fim o surgimento de um tipo de vida insustentável baseado no crédito fácil que viria mais tarde a eclodir na bolha financeira.
      Gregory Reeves é a personagem central, mas são inúmeras, diria mesmo demasiadas, as pessoas em torno dele, caracterizadas de forma viva e colorida. Se há relatos duros e sombrios, outros são engraçados e picarescos. As personagens “vêem-se”, são palpáveis, têm vida.
      Greg teve uma vida atribulada e difícil, aspirando antes do mais e, sobretudo, à aceitação e ao amor por parte dos outros. Desenraizado, percorrendo enquanto criança, a América do Norte na companhia de um pai pregador inflexível e de uma mãe fria e distante, até que a família se fixa numa comunidade de imigrantes predominantemente mexicanos. Aí, como, aliás, ao longo de toda a vida, e por diferentes motivos, sentir-se-á um estranho. Muito louro e branco é rejeitado e visto com desconfiança numa escola em que todos são morenos e usam uma linguagem diferente. Mas uma vez que é preso por um pequeno delito verifica que é tratado com benevolência por ser branco. Ou ainda quando chega à universidade de Berkeley percebe que lá só há brancos como ele.
      A sua vida amorosa que ele via ser a possibilidade de resgatar a felicidade que nunca tinha tido enquanto criança é um desastre. Nem amado pela mulher e muito menos pela filha, os piores anos da sua vida foram aqueles em que perdeu a “candura” e corresponderam aos anos da revolução sexual dos anos 60. Ao ser chamado para o Vietname, foi com a secreta esperança de morrer na guerra, mas, afinal, descobriu que “morrer é muito mais difícil que continuar vivendo”!
      Isabel Allende é brilhante nos relatos do horror da guerra que nos recordam muitos filmes emblemáticos sobre a guerra do Vietname. Greg regressa do Vietname e sente-se totalmente sozinho e fora do resto do mundo. Pode subir na carreira de advogado, mas a infelicidade, a ansiedade e a insatisfação são permanentes. Ele, tal como grande parte das personagens que o rodeiam não passam de ilhas sozinhas e isoladas. Greg leva uma vida de grande instabilidade e sofrimento, sem conseguir encontrar-se, chegar ao seu eu. Depois de se ter endividado com créditos e mais créditos para alardear um status falso, entra em falência. Tudo cai à sua volta. Será a terapia que vai fazer ao longo de anos que o irá ajudar a conhecer-se e dar-lhe as ferramentas para se levantar a partir do zero.
      No fim, percebe-se que Greg Reeves está a falar com Isabel Allende e que todas as personagens e acontecimentos que lhe está a narrar são a sua história de vida. Voltando ao princípio do livro, lê-se “quarenta e tantos anos mais tarde, durante uma longa confissão em que passou revista à sua existência e fez as contas dos seus erros e acertos, Gregory Reeves descreveu-me a sua recordação mais antiga…”
      Na dedicatória Isabel Allende escreve: “Ao meu companheiro, William C. Gordon, e às outras pessoas que me confiaram os segredos das suas vidas”. “O Plano Infinito” recheado de personagens é o retrato dessas muitas pessoas que confiaram os segredos Almerinda Bentodas suas vidas a Isabel Allende. Mais ou menos romanceado, mais ou menos verídico, é um livro denso com episódios de grande dureza e com personagens inesquecíveis.

Setembro 2017

Almerinda Bento

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Para os Mais Pequeninos: "Um Salto de Gafanhoto"


Li alguns livros de Margarida Fonseca Santos e considero-a uma escritora muito versátil. A comprová-lo este livro para os mais pequeninos com um texto didático, onde gafanhotos de cores diferentes nos mostram que, mesmo diferentes, sāo iguais. Iguais na vontade de se divertirem, de serem amigos com os mesmos direitos.

A história do gafanhoto verde repete-se quando encontra o gafanhoto castanho e depois o amarelo. Esta repetiçāo favorece a leitura e a compreensāo dos pequenitos que a ouvem da boca dos mais velhos e ajuda na sua memorizaçāo.

E as ilustraçōes? Ma-ra-vi-lho-sas! Vejam só...


 

 




Cris

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

"O Apelo Selvagem" de Jack London

De leitura bastante "portátil", como costumo apelidar, este livro é perfeito para intercalar com outros livros que, de tāo pesados que sāo, sāo difíceis de transportar. Foi o que fiz e nāo me dei mal com isso. É de fácil leitura e lê-se rapidamente.
      Creio que é uma leitura perfeita, também, para os amantes de cāes. Conta-nos a história de um cāo de grande porte que se viu metido em dificuldades quando foi roubado ao seu dono, e vendido. Maus tratos, fome, agressōes comecaram a fazer parte do seu dia a dia. Ferido fisicamente e no seu amor próprio, Buck consegue sobreviver.
      Quem tem animais diz muitas vezes que a eles "só falta falar". Jack London deu vida a Buck e consegue caracterizá-lo com sentimentos que, normalmente, atribuímos apenas aos humanos. Esqueci-me frequentemente que Buck era um animal. Creio que isso acontece a quem tem animais. Gostei disso, dessa caracterizaçāo exaustiva dos sentimentos de um animal que, com algumas atitudes, supera em muito alguns humanos...
       Uma leitura dirigida a um público mais jovem que delicia, de igual modo, os "mais velhos".

Terminado em 3 de Outubro de 2017

Estrelas: 4*

Sinopse
Buck é um cão que se vê arrancado do conforto da quinta onde nasceu e lançado numa vida dura e perigosa.
      Nos rigores do Alasca, Buck tem de aprender a viver com quase nada e a adaptar-se à exigência e à crueldade dos seus sucessivos donos, até que conhece John Thornton, um ser humano que reconhece a sua inteligência e nobreza e de quem Buck se torna um amigo leal e devoto, salvando-lhe a vida por diversas vezes.
      Mas depois de ter sofrido tanto às mãos dos homens, o apelo da floresta parece-lhe cada vez mais irresistível….

Cris

domingo, 8 de outubro de 2017

Ao Domingo com... Carlos Vale Ferraz

 

O meu escrever

Escrever é refletir sobre a vida. É o que tenho tentado nos meus romances. O mais recente chama-se A Última Viúva de África, nele falo, reflito sobre a descolonização, as independências das antigas colónias europeias, dos sonhos dos brancos que lá queriam permanecer.
      Neste romance faço-o através de um narrador que se defronta com um problema de identidade. Teve um passado que não corresponde ao que aqueles com quem viveu a maior parte da vida lhe conheceram. Envolveu-se em aventuras ao lado dos que se batiam por ideais que contrariavam os que ganhou fama de defender. Tinha o direito a guardar para si esse passado, essa identidade? Tinha o direito de viver com uma máscara, como as que as personagens do teatro romano utilizavam nas representações?
      Os gregos utilizavam a palavra metanóia para significar a mudança do pensamento num novo modo de viver. Esta personagem coloca a questão do
direito e dos limites da mudança ao longo da vida. Somos os mesmos enquanto jovens e enquanto velhos? Pode alguém ser quem não é. E pode ser quem não foi? A resposta que temos no subconsciente, a do senso comum, é a de que não pode. Partimos do princípio que temos uma matriz, uma marca de água como as notas e que não a podemos falsificar. É, julgo, uma falácia. Não só podemos ser quem não somos, como nunca somos quem parecemos. Somos como a madeira verde, não constituímos uma totalidade acabada.
      A Última Viúva de África aponta algumas das causas das alterações que sofremos. Em primeiro lugar a perceção do tempo, o uso que dele fazemos, a forma como dispomos dele. O narrador conclui que o depois não é diferente do antes, o antes não justificou, nem explicou o depois. A história não é portadora de um sentido, não existe o sentido da história. Os historiadores e os escritores procuram lugares de memória para fundamentarem as suas narrativas, mas o que procuram, ou que encontram na acumulação de testemunhos, de indícios, de imagens é a diferença fora do tempo, refletem nas suas obras o que os homens e as mulheres são à luz do que eles já não são.
      Escrevo sobre o tempo, sobre a forma como o passado, o passado das personagens se transforma em história e a história individual passa a pertencer à história. Vivi uma guerra e uma revolução, mas não pretendo que os que pertencem a tempos mais recentes me vejam como um monumento da história. Talvez como um enólogo, que descreve como se produziram vinhos com determinadas qualidades e não outras. Tenho a consciência de que, como autor, ao criar personagens, ou ao descrevê-las, digo mais sobre mim do que sobre elas.
      O meu primeiro romance chamou-se Nó Cego e refletia a ideia de que jamais desataríamos as amarras que nos prendiam a um passado sem futuro, a guerra colonial. Dei aos meus livros títulos como De Passo Trocado, ou Os Lobos Não Usam Coleira para expressar a marginalidade e a solidão do percurso das personagens, do meu percurso. Contestei e ridicularizei os poderosos e os ambiciosos chamando-lhes Flamingos Dourados, percorri o último milénio com os grandes vencidos da história, do árabe Almansor aos estudantes do Maio de 68, do papa Silvestre aos europeus derrotados na Indochina e em África, dos utópicos crentes na felicidade na Terra até aos inquisidores mais perversos. A essa descrição de vencidos da história dei o nome de Livro das Maravilhas. Em a Estrada dos Silêncios, o meu penúltimo romance, defrontei-me com a ilusão do progresso, associado às obras que nos permitem ir mais depressa de uma ponta à outra da Europa sem ganharmos nem conhecimento, nem paz, nem sabedoria. Um romance sobre a estupidez de um doente mental que sonhou ser imperador da Europa, dominar a Europa para afirmar a sua grandeza: o sonho da insensata loucura de Napoleão, o general que decretou um bloqueio naval sem ter uma esquadra, o homem que invadiu Portugal para defrontar os ingleses, o seu inimigo principal, e não veio comandar as tropas nas batalhas decisivas!
      O mundo continuou indiferente aos homens e às suas loucuras, como alguém disse, os tubarões continuaram a comer os cardumes. Escrevi bastante sobre África, os últimos romances sobre europeus que de lá vieram pediram: Fala-me de África. Falei de África e do Portugal que Salazar criou à volta da ideia de um império africano em A Mulher do Legionário. A propósito de mulheres, a última viúva de África é uma portuguesa que viveu os violentos momentos iniciais da independência do Congo Belga e, como uma vidente, prevê os acontecimentos que alastrarão às colónias portuguesas de Angola e Moçambique. Ela será a mãe dos mercenários que serão mais uma peça no jogo de interesses por detrás das independências das colónias europeias.
      A conclusão de tudo o que escrevi e do muito que já vivi talvez possa ser resumida no título de um dos meus romances: Basta-me Viver. Viver é, de facto, o que todos procuramos e aquilo a que se resume a nossa existência. Os romances ajudam a viver.

Carlos Vale Ferraz

sábado, 7 de outubro de 2017

Na minha caixa de correio






      


Comprados em 2a māo na Dejà Lu, livraria solidária na Cidadela de Cascais: Uma Manhā Perdida e Sete Mares e Treze Rios.
A Carne foi ofertado pela Porto Editora, bem como A Última Viúva de Åfrica.
Cozinhar comAmor foi oferta da Chá das Cinco.
O Hrande Livro dos Insetos chegou-me pelas māosda Bizâncio.

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

A Escolha do Jorge: "As Últimas Testemunhas"

“A memória da criança guarda apenas o medo ou algo de bom.” (p. 216)

“As Últimas Testemunhas” de Svetlana Alexievich (n. 1948), Prémio Nobel de Literatura em 2015, constitui uma das obras mais aguardadas neste final de ano no mercado editorial português.
      À semelhança das suas obras anteriormente publicadas, “As Últimas Testemunhas” apresenta-se como um coro de cem vozes, outrora de crianças, que agora prestam testemunho sobre o que viram, sentiram, mas sobretudo o que perderam no decurso da 2ª Guerra Mundial. A ofensiva militar, que assolou territórios da então URSS, surge na sequência de a Alemanha nazi ter quebrado o Pacto de Não-Agressão com a URSS, e durante 1941 e 1944, foram inúmeras as
perdas humanas, vítimas da loucura e crueldade do homem.
      O estilo de Svetlana Alexievich mantém-se inalterado. Quem já teve oportunidade de ler outras obras da escritora bielorrussa, rapidamente identifica o seu registo que tem como missão dar voz a quem não a tem, face a um determinado assunto fracturante e que, em certa medida, do ponto de vista do registo historiográfico, é impossível que aconteça, por este ser de carácter científico.
      Passadas décadas do final do conflito militar, Svetlana Alexievich ouviu inúmeras pessoas que eram crianças durante a guerra. Ouviu e registou as suas memórias. Ou o que resta delas. Impressões, dados pouco concretos, quase sombras em certos casos, mas noutros, as recordações dolorosas face à perda de bens, dos pais e da infância, no fundo, estão ainda muito presentes, de forma vincada no pensamento e discernimento destas pessoas, ao ponto de as ter marcado para toda a vida. “A guerra demorou a terminar… Contam quatro anos de tiros… E para esquecê-la, quantos foram precisos?” (p. 268)
      O início de cada capítulo tem sempre a introdução alusiva ao interlocutor, com o nome e a idade à época da guerra, e também, a profissão que exercem (ou exerceram). E em função disso, compreendemos os estudos e a formação que os vários intervenientes fizeram durante a sua formação, reflectindo-se a mesma no discurso utilizado.
      Em todo o caso, há dois aspectos que parecem unir o discurso utilizado por esta centena de interlocutores: a importância dos livros no contexto familiar e o patriotismo, mesmo em tenra idade, no contexto da ideologia da URSS.
      Outros aspectos que constituem um elo de ligação em toda a obra é, sem dúvida, a forte ligação familiar entre pais e filhos. São inúmeros os relatos das então crianças em que transmitem no decurso dos seus testemunhos esta ideia de união familiar, para lá de qualquer ideologia política.
      A necessidade destas crianças em ter e estar com alguém que, mesmo nos orfanatos quando já tinham perdido os pais ou quando nada sabiam destes, “adoptavam-se” uns aos outros face à necessidade de pertencerem e serem uns dos outros. Esta ideia várias vezes enunciada reflecte a ideia em si mesma de sobrevivência e do facto de o ser humano apenas se conseguir realizar e sentir verdadeiramente humano enquanto ser social. Pena que estas pessoas o tenham aprendido e sentido da pior das maneiras, pela via da guerra e da perda de entes queridos.
      O mesmo acontecia quando estas crianças sem pais eram adoptadas por vizinhos ou mesmo por desconhecidos. As descrições face a esta ideia de necessidade em que todos precisam de uma família e de serem protegidos chega a ser comovente quando da leitura de alguns testemunhos.
      São estas ideias, pensamentos, frases soltas por vezes, que compreendemos que não podem integrar um registo historiográfico, ainda que paralelo, ainda que reflictam toda uma realidade, porém, Svetlana Alexievich consegue trazer ao público este universo de vozes que têm algo a dizer ao mundo, dar-lhes voz, como se dissessem “estamos aqui” ou “vivemos isto” ou ainda “aconteceu daquela maneira”. Frases como “Sou um homem sem infância, em vez da infância, tive a guerra.” (p. 47) ou “Mas nunca sou capaz de ser feliz até ao fim. (…) Temo a felicidade” (p. 70) são pensamentos de uma tal densidade à qual não conseguimos ficar indiferentes.
      Ler Svetlana Alexievich é compreender um determinado processo histórico ou conjuntura. Ao passo que a História recorre a um discurso que pretende elevar-se a científico, pretendendo a compreensão do sucedido, baseando-se em fontes históricas, para o efeito, o trabalho apresentado pela escritora bielorrussa enriquece a História com voz e sentimentos, contribuindo, também, para a compreensão da realidade histórica. Ambas funcionam em certa medida como as duas faces da mesma moeda.
      O ódio aos alemães era notório, mesmo entre as crianças, porque foram forçadas a perceber da pior maneira o que é perder a família. Assim, o olhar das crianças alternava diversas vezes entre o deslumbramento face à incompreensão do que estava a acontecer e a consciência de ódio perante o inimigo. “Vi de perto o primeiro alemão… Alto, de olhos azuis. Admirei-o muito. Tão bonito, mas mata. (p. 109) No inverno deslizámos várias vezes sobre cadáveres de alemães congelados que ainda continuavam a aparecer fora da cidade. Deslizávamos como se fossem trenós. Dávamos pontapés aos mortos. Saltávamos em cima deles. Continuávamos a odiá-los.” (p. 150)
      E esta obra de Svetlana Alexievich pode resumir-se com as últimas palavras, estrategicamente selecionadas para o final, sobre a consciência que os próprios intervenientes têm sobre a necessidade das suas memórias serem escritas para que não caiam no vazio, no esquecimento das gerações vindouras e, no fundo, da própria História. “Alcançámos aquela linha… aquele limiar… Somos as últimas testemunhas. O nosso tempo está a chegar ao fim. Devemos falar… As nossas palavras serão as últimas…” (p. 309).

Texto da autoria de Jorge Navarro

terça-feira, 3 de outubro de 2017

Para os Mais Pequeninos: Lexy, o Menino Vegano


Paralelamente ao mundo encantado dos livros, que adoro, ando a mudar a minha alimentaçāo. Aos poucos, aos poucos, chego lá! Sem fundamentalismos mas comendo aquilo que me dá gozo e me faz melhor. Nāo sou vegetariana/vegana, ainda. As minhas refeiçōes sāo maioritariamente vegetarianas. Adoro a cor e o sabor de um prato que nāo me faz mal.

Sigo muitas pessoas no instagram e fico maravilhada com a quantidade de crianças que pegam num vegetal como se fosse um doce e o apreciam verdadeiramente. Quem me dera ter tido essa experiência em pequena! Acredito que os filhos sāo um pouco aquilo que os pais praticam e vejo com gosto o insta stories de pais e filhos comendo vegetais e frutas tāo coloridas que metem inveja (da boa, claro!) 

Assim, nāo podia deixar de vos falar de um livro para crianças (e adultos!) que desmistifica vários conceitos sobre o veganismo. De A a Z, pequenos versos dāo vida aos desenhos. As ilustraçōes da Tânia Bailāo Lopes sāo coloridas e divertidas. Tal qual um prato de comida deve ser!

Ora vejam algumas fotos do livro da Barbara Magalhāes:

 

 

Cris

sábado, 30 de setembro de 2017

Na minha caixa de correio

  
  

Ofertados:
Milarepa - Marcador
Laëtitia - Bertrand
O Caminho Imperfeito - Quetzal

Comprados/ Ganhos:
Lexy, o menino vegano
Re-Use

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

"As Mulheres no Castelo" de Jessica Shattuck

Gostava de conseguir transmitir todo este emararanhado de sensaçōes que pululam na minha cabeça, de lhes dar ordem e sentido, e, no entanto, nāo consigo exprimir o quanto este livro mexeu comigo.
      Trata-se de um excelente trabalho de pesquisa mesclado com uma ficçāo soberba, cheia de uma imaginaçāo de fazer inveja. Uma história bem contada, com personagens credíveis, caracterizados na perfeiçāo. O bom e o mau que existe em cada ser humano.
      A história reporta a 1938 e vai até 1991, na Alemanha. É a história de três mulheres alemās que a guerra acabou por juntar. É a história, também, da resistência alemā a um ditador, a um conjunto de ideias que se revelou do mais ediondo que podia haver. De como a propaganda nazi influenciou o povo, de como esse povo nāo viu, ou nāo quis ver, o quese estava a passar. Das batalhas interiores de cada um, dos segredos escondidos, dos remorsos do que se fez e do que se deixou passar sem tomar nenhuma atitude, da inércia, do que o medo é capaz de fazer. Um outro lado da Guerra sobre o qual nāo é habitual ler-se.
      Um livro que me deixou completamente embebida tanto mais as páginas passavam por mim, que me deixou sem palavras. Vivi tudo o que foi descrito e se nāo aconteceu realmente toda esta história, a sensaçāo que se tem é que poder-se-ia ter passado tal qual. 

Muito bom! Obrigatório ler. A capa nāo traduz a profundidade deste livro. De todo. Creio que teria preferido outra. Recomendo vivamente.

Terminado em 24 de Setembro de 2017

Estrelas: 6*

Sinopse
Na guerra fizeram escolhas impossíveis, agora têm de viver com elas. Três mulheres, assombradas pelo passado. Marianne von Lingenfels volta ao castelo abandonado, dos ante-passados do marido. Para cumprir a promessa que fez aos corajosos companheiros do marido: encontrar e proteger as suas mulheres no meio das cinzas da derrota da Alemanha nazi. Um livro com uma pesquisa histórica rigorosa e que oferece um novo olhar e novas realidades da Segunda Guerra Mundial, um dos períodos mais lidos da nossa história.

Cris

domingo, 24 de setembro de 2017

Ao Domingo com... Iria Alexandra Cardoso

Sou uma sonhadora acima de tudo.
     
Desde pequena, por influência da minha Mãe, que lido muito com livros e ficção no geral.
      Ainda me lembro do tempo em que o senhor do Círculo de Leitores vinha a minha casa entregar a revista e/ou entregar mais um livro para uma qualquer colecção que estivéssemos a fazer na altura. Digo estivéssemos, pois a minha Mãe é uma ávida leitora e sempre me incutiu esse hábito, mesmo que fosse apenas o folhear dos livros naquela altura.
      Lembro-me de folhear os meus livros – comecei as minhas colecções quando tinha 3 ou 4 anos - e os livros grandes de atlas ou de história em geral, apesar de não compreender o que diziam, mas gostar das imagens. E, está claro, gostava dos livros Disney, com as suas princesas e príncipes, bem como de “Pedrito, o Coelho”.
      Quando comecei a ler e a compreender as palavras e frases, a leitura e o gostar de ler nunca me deixaram, fazendo-me companhia enquanto crescia. Li Alice Vieira, Enyd Blyton, Rosa Lobato Faria, mas foi com “Harry Potter” de J.K. Rowling que descobri o estilo que mais gostava de me embrenhar. Li “Senhor dos Anéis” de J.R.R Tolkien; a trilogia de “Ceptro de Aerziz”, de Inês Botelho; o “Ciclo da Herança” de Christopher Paolini; “As Crónicas de Spiderwick” de Holly Black e Tony DiTerlizzi; “As Memórias de Idhún” de Laura Gallego García. Entre Neil Gaiman, Filipe Faria, Stephanie Meyer e Joanne Harris cresci no mundo da fantasia e, com as colecções que fui fazendo, cresci a ler sobre as mitologias do mundo e as lendas de grandes heróis do tempo antigo e medieval.
      Depois descobri Nora Roberts e Sherrilyn Kenyon com a sua saga de fantasia dos “Predadores da Noite”, bem como “As Crónicas de Gelo e Fogo” de George R.R. Martin – e ainda antes da série.
      Ao longo dos anos, comecei a escrever. A escrever num diário, bem como nos trabalhos de escola quando deveriam ser mais elaborados e vindos da imaginação. Mais tarde, quando entrei no secundário, comecei a escrever pequenos textos para mim, para desanuviar os meus pensamentos.
    Contudo, foi quando entrei na faculdade e precisando de algo para descansar a cabeça dos trabalhos e das leituras que era obrigatório fazer, que a escrita começou a ficar mais séria e que lhe tomei o gosto.
      Foi aí que escrevi o primeiro rascunho de “Equilíbrio 1 – O Despertar”, o meu primeiro livro, agora publicado.
      Apesar de ainda ter demorado o seu tempo, e de ter rearranjado em muito o primeiro rascunho, e depois de muito tempo a tentar arranjar coragem para enviar o manuscrito, em 2015 a Chiado Editora deu-me a oportunidade de mostrar que afinal tinha jeito para “a coisa”. E o feedback que tenho tido, seja de pessoas conhecidas como de desconhecidos e de professores com quem ainda mantenho contacto, deixa-me nas nuvens, pois fico contente que as pessoas gostem daquilo que escrevo.
      Posso dizer que esta minha primeira obra – de onde mais dois irão sair – é algo pessoal e que me ajudou a ultrapassar certas dificuldades e espero que também ajude quem o ler e que o transporte numa aventura única.
      Penso que esse seja o maior sonho de um escritor, é o da sua obra chegar longe e aonde mais nada ou ninguém chega ou chegou.
      Muitas obras tocaram-me no coração e ajudaram-me a ultrapassar as dificuldades do crescimento, onde muitas vezes parecemos estar deslocados. E às vezes basta conhecermos as pessoas certas, vivermos a experiência certa em algum momento da nossa vida para nos ajudar a crescer.
      E, espero, que seja essa a sensação que as pessoas terão ao ler o meu livro.
Podem ficar a par de todas as novidades na minha página do Facebook

https://www.facebook.com/IAlexCardoso/

Iria Alexandra Cardoso





sábado, 23 de setembro de 2017

Na minha caixa de correio

              

Ofertados:

A Conjura e Um Salto de Gafanhoto - Clube do Autor
Cozinha Flexi- Arena
O Apelo Selvagem e Nenhuma Verdade se Escreve ni Singular - Bertrand
As Duas Vidas de Sofia Stern- Porto Editora
Os restantes livros foram comprados em segunda māo, na Net e Feira da Ladra.