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segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Passatempo de Natal 2017 / Penguin Random House

 

 

Para mais informações sobre o passatempo, clique aqui.

Passatempo de Natal 2017 / Presença

 

Estes dois livros constituem um pack sendo sorteados em conjunto.

Para mais informações sobre o passatempo, clique aqui.

Passatempo de Natal 2017 / Marcador


Para mais informações sobre o passatempo, clique aqui.

Passatempo de Natal 2017 / Planeta

 

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Passatempo de Natal 2017 / Bizâncio

 

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Passatempo de Natal 2017 / Saída de Emergência


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Passatempo de Natal 2017 / Clube do Autor


Serão sorteados 3 exemplares deste livro.

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Passatempo de Natal 2017 / Porto Editora

 

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domingo, 17 de dezembro de 2017

Ao Domingo com... Nuno Cardal

Ao Domingo com… a minha máquina fotográfica! 


Estranha forma de começar um texto sobre um livro, mas é exatamente este o meu convite para um magnífico domingo e espero que este álbum possa ser um belo companheiro e um incentivo a viajar pelas maravilhosas paisagens do Douro percorrendo as estradas que o ladeiam ou conhecendo um dos seus magníficos afluentes, o Tua por exemplo é uma surpresa, e depois da construção da barragem alterou em muito a imagem que dele tínhamos.
      As cidades do Porto e Vila Nova de Gaia também podem conter grandes surpresas, mesmo para os locais. Recentemente foi aberto ao público o soberbo Paço Episcopal no Porto que merece uma demorada visita e a Casa Museu Teixeira Lopes em Gaia é algo imperdível não só pela sua arquitetura como pelo recheio que possui.


      E...tudo isto de máquina fotográfica na mão!
      De máquina fotográfica, não de telefone que também faz imagens.
      E quando faço este convite/desafio ainda gostava de ir mais longe pois se procurarmos bem ainda encontramos uma máquina fotográfica analógica, isto é de rolo, com a qual podemos fazer fotografias, com a qual temos de pensar no ato de fotografar, com a qual temos de selecionar a perspetiva em vez de fazermos 20 imagens da mesma coisa.
      Saber enquadrar, escolher a velocidade e abertura, enfim...pensar e usufruir, esperar pela revelação.
      E para acrescentar um bocadinho mais de “sal” use um rolo a preto e branco e vai ter toda uma nova dimensão dos locais por onde passou.
      A imagem digital veio democratizar o uso e a partilha de “qualquer coisa” (imagens) próximo da fotografia, mas por outro lado retirou a necessidade de pensar, de criar, de procurar, de esperar. Alterou os tempos de usufruto, o que antes era procurar a imagem, fotografar, revelar, apreciar e partilhar agora é tudo no mesmo momento, no imediato.
      Gosto de fazer esta analogia, pensemos na pintura... Podemos pintar com tintas de óleo cuja secagem é demorada, podemos pintar com aguarela que é mais rápido, podemos pintar em computador que é, como sempre no digital, o mais imediato. Tudo isto é pintura mas são coisas diferentes. Da mesma forma que os grandes mestres da pintura não usaram só um meio. Também os grandes mestres da fotografia do passado usariam a fotografia digital, ou o telemóvel mas continuariam a usar as suas máquinas fotográficas de rolo ou chapa.
      Inspire-se nas panorâmicas paisagens do Porto e Douro e passe um bom domingo com a sua máquina fotográfica... Se possível de rolo.

Sobre Nuno Cardal
Nuno Cardal nasceu em Lisboa, em maio de 1967. No ano de 1990 licenciou-se em História pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, onde desenvolveu alguns trabalhos na área da fotografia. O seu percurso profissional esteve sempre ligado às áreas da cultura e da publicidade. Foi responsável pelo Programa Comunitário de Desenvolvimento de Infraestruturas Turísticas e Culturais, exerceu funções de produção no programa cultural da RTP “Ponto por Ponto”, foi colaborador do Professor José Hermano Saraiva nos seus programas televisivos, trabalhou em várias empresas de publicidade e desenvolveu a rede de videopainéis que hoje se encontra por Lisboa.
      É autor do livro “McCann – 65 anos de Publicidade em Portugal” e de diversas publicações na área da fotografia. Como fotógrafo profissional, coordenou e executou o trabalho fotográfico para uma enciclopédia sobre Lisboa. No verão de 2008, a Fundação EDP realizou a exposição ”Dia e Noite”, dedicada ao seu trabalho.
      “Portugal Panorâmico”, publicado pela editora Lidel, é o seu mais recente trabalho.

Nuno Cardal

sábado, 16 de dezembro de 2017

Passatempo de Natal 2017

Como já vem sendo usual, O Tempo Entre os Meus Livros quer presentear-vos nesta época Natalícia com alguns miminhos. Livros, claro está!

E, sem as editoras parceiras isso não seria possível! Como tal, quero agradecer em especial àquelas que tornaram este passatempo uma realidade. São elas: Porto Editora, Clube do Autor, Saída de Emergência, Bizâncio, Planeta, Marcador, Presença, Penguin Random House.
O passatempo é bem fácil de participar! Ora vejam:

1) Só o podem fazer uma única vez. Ficam habilitados automaticamente a todos os livros, que irão sendo apresentados ao longo do dia 18.

2) O blogue agradece que partilhem no FB o passatempo. Se enviarem o link da partilha a vossa participação conta a dobrar.

3) Devem enviar um e-mail para otempoentreosmeuslivros@gmail.com, com o vosso nome completo, morada e nick do seguidor do blogue.

4) O passatempo decorre até dia 18 de Janeiro de 2018.

5) O blogue e as editoras não se responsabilizam por qualquer extravio dos CTT. Os livros só serão enviados em Janeiro para evitar extravios que, infelizmente, acontecem nesta altura.

Boa sorte!

Na minha caixa de correio

  

  
 

Ofertas da editoras:

- Escuta o teu Corpo, Editora Matéria-Prima.
- Amando Pablo, Odiando Escobar, Editora Objectiva.
- Limões na Madrugada, Cultura Editora
- Os Meninos Que Enganavam os Nazis e George e a Lua Azul, Editorial Presença
- O Homem de Giz, Planeta Manuscrito.

Comprado num alfarrabista:

- Os Loucos da Rua Mazur

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

A Escolha do Jorge: "Natália"


“Naquela altura, era preciso ter talento para não morrer. Não cabíamos nas cuecas nem nos nossos sonhos, caminhávamos sem olhar para trás, fumávamos como se fosse um acto de lucidez e bebíamos café para afugentar o medo.” (p. 9) 

Novela de culto da literatura sul-americana, “Natalia” constitui a obra emblemática do chileno Pablo Azócar (n. 1959), que rapidamente se tornou um sucesso, após a sua publicação, em 1990.
      Tendo Santiago do Chile como pano de fundo, “Natalia” é um monólogo por parte do narrador com pretensão a escritor, que vai registando as suas experiências a nível sexual
com um infindável número de mulheres que surgem na sua vida.
      Sem nunca cair no brejeiro e sempre com muito estilo e muita classe, o narrador apresenta-nos aquela que é a mulher das mulheres por excelência. É impossível não ficar rendido às descrições sobre Natalia, os seus atributos físicos, o seu desempenho sexual. Natalia entra e sai da vida do protagonista porque Natalia é sinónimo de mulher livre e bela, a emancipação em estado puro, não sendo mulher para um só homem e com muito amor para distribuir, seja homem, seja mulher. Amar Natalia é entrar em puro transe, difícil de dosear, daí a necessidade do afastamento após a capitulação dos corpos na sequência da urgência das carnes, do desejo, do amor e da beleza.
      “Nem nos momentos de fúria eu poderia negar os talentos da Natalia. A sua criatividade era a antítese do tipo que aprende as posições do Kamasutra e decide pô-las em prática. Quando se punha em acção, era como ir de smoking e havaianas ao enterro de um humorista no desemprego para lhe pedir dinheiro emprestado. A Natalia deixava-se ir e partia-se em bocados que era preciso apanhar pela casa toda. (…) Precisávamos de estar sempre a inventar, mas era por isso que nos sentíamos em santidade, e tínhamos o Corão, sete rosários e um catálogo de extrema-unção.” (pp. 41-42)
      É neste registo humorístico e metafórico que Pablo Azócar presenteia tantas vezes o leitor ao longo da obra, tornando-o viciado nas letras e nas frases, nas imagens e nos desejos, tal qual a vulnerabilidade do protagonista perante Natalia.
      Natalia é o centro das atenções junto de todos os homens, mas também das mulheres. O protagonista chega a partilhar Natalia com Lucía, uma das mulheres com quem viveu e amou e que também amava Natalia cujo amor e desejo era igualmente correspondido por esta. Natalia era um mistério de mulher em si mesma, não só perante a inevitabilidade das evidências, mas também nos períodos em que está ausente.
      O protagonista, um verdadeiro pinga-amor por natureza, amou tantas, mas tantas mulheres, aquelas que ele procurava e aquelas que o procuravam, sempre durante a ausência de Natalia, e em ambas as situações, acabavam por entrar na sua vida, na medida em que “Santiago era uma festa e porque tudo aquilo não era a glória, mas parecia muito.” (pp. 125-126) Há momentos alucinantes e vertiginosos e de uma eloquência fora do comum em Natalia a que o leitor não fica indiferente, como a passagem em jeito de conclusão sobre o tempo em que desvendou os mistérios dos corpos de Alejandra e de Antonia. “A verdade é que cheguei a amar ambas mais do que devia, nada a fazer. Houve uma altura em que me fechava no quarto com elas quase todos os dias, e, no meio de gritos ordinários, éramos capazes de agarrar o mundo com toda a força e cortá-lo aos bocados com um berbequim e psicopatia em doses razoáveis, porque, no fim de contas, tudo aquilo mais não era que palavras, frases mutiladas, pervertidas, um estúpido jogo de crianças.” (pp. 123-124)
      O narrador procura assim saciar o seu desejo através das muitas viagens pelos corpos das mulheres que se cruzam na sua vida, mas é Natalia quem sempre espera, porque sabe que no fundo, Natalia regressa sempre ao aconchego dos seus braços, do seu lar, até se repetirem doses industriais do mais puro êxtase, num qualquer novo capítulo das suas vidas cruzadas.
      “Natalia” apresenta-se-nos vertiginosa e apaixonante através de uma leitura também viciante para o leitor, sendo um daqueles livros que dificilmente passará ao lado, bem pelo contrário, até porque não será de estranhar a vontade de reler a obra tal como Natalia se tornou o doce vício do narrador.
      Com uma tradução primorosa a cargo de Maria Manuel Viana, “Natalia” constitui uma das grandes surpresas neste final de ano, sendo a primeira obra de Pablo Azócar a ser publicada no catálogo da Teodolito.

Texto da autoria de Jorge Navarro

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

"Maria da Fonte" de Maria João Fialho Gouveia

Mais uma autora portuguesa que estava com muita vontade de "conhecer". Tendo já nas minhas estantes alguns dos seus livros, mas ainda não lhes tendo pegado, a saída deste "Maria da Fonte" foi o pretexto ideal para conhecer tanto a escrita da autora como esta história da História que não conhecia em profundidade.

Gostei muito de conhecer ambas. Confesso que fiquei muito apaixonada pela personagem, por essa mulher de armas que foi Maria da Fonte, o que me levou a não dar importãncia a algumas partes da história contada que não me fizeram sentir no seu interior, como tanto gosto. Creio que esse facto deveu-se, sobretudo, a alguns diálogos com bastantes referências políticas que achei mais cansativos, embora necessários, reconheço. 

A escrita da autora é bastante clara, povoada de discursos que nos remetem para o contexto socio-cultural da época, onde os estatutos das diferentes classes sociais estavam bem definidos e que eram difíceis de transpôr e, também, para as diferenças marcantes entre o Homem e a Mulher, ditadas pelos costumes machistas de então.

Contudo, Maria da Fonte soube liderar as hostes numa sublevação popular contra o governo presidido por Costa Cabral e que teve início na Póvoa de Lanhoso (ver Wikipédia), vencendo alguns preconceitos no que concerne ao papel da mulher na sociedade, trazendo à sua vida momentos de verdadeiro reboliço e fazendo com que ficasse a ser conhecida pela sua bravura.

Como referi, gostei muito de conhecer a vida desta personagem e com ela, a autora, Maria João Fialho Gouveia. Porque sim, acredito que, ao conhecer esta heroína portuguesa, fiquei a conhecer um pouco de quem lhe deu vida neste romance.

Terminado em 12 de Dezembro de 2017

Estrelas: 4*

Sinopse
Até quando pode uma mulher aguentar a injustiça sem erguer a voz? Após as Guerras Liberais que assolaram Portugal durante o século XIX, as decisões do governo de Costa Cabral não são bem recebidas. Os impostos aumentam, as liberdades do povo são atacadas e a Igreja é o próximo alvo. Atenta aos gritos de revolta do seu povo, que também são os seus, e às ideias miguelistas dos seus senhores, está a jovem Maria Angelina. Despedida por se ter deixado apaixonar, Maria regressa à sua aldeia da freguesia de Fontarcada, na Póvoa de Lanhoso, jurando viver por si, sem ninguém a cortar-lhe as asas. Os ideais, no entanto, não desaparecem, e, quando o governo proíbe o povo de enterrar os mortos nas igrejas, Maria decide tomar medidas. Lideradas por ela e munidas das armas possíveis, como as ferramentas de trabalhar a terra, as mulheres do Minho fazem justiça pelas próprias mãos. Maria de Fontarcada torna-se Maria da Fonte e ganha os contornos de uma líder popular. Conforme a revolta vai grassando pelo país, forçando o governo a ser demitido e o exército a entrar em cena, Maria da Fonte transforma-se num mito, surpreendendo até aqueles que com ela privavam. Esta é a história desse mito. E da mulher que está na sua origem.

Cris

domingo, 10 de dezembro de 2017

Ao Domingo com... Filipa Sommerfeldt Fernandes


Desde muito pequena que adoro ler. Em miúda, chegava a levar uma lanterna para a cama e a acende-
la debaixo dos lençóis para continuar com a leitura – já depois da minha mãe me ter dado um beijinho de boa noite e apagado a luz.
      Mais do que adorar ler, adoro livros. As bibliotecas fascinam-me... fico emocionada quando olho para paredes enormes e vejo lombadas diferentes de tantos livros que eu ainda não li. Quando viajo, entro nas grandes livrarias e fico por lá, meia perdida, mas entusiasmada folheado, tocando, cheirando... adoro livros!
      Abrir um livro e ler as primeiras linhas pode ser um momento mágico: uma porta que se abre para um mundo que por algum tempo é só nosso. Um mundo em que conseguimos ir muito além das palavras escritas e que nos transporta para o centro de aventuras, emoções, amores, crimes... um livro consegue fazer-nos rir e chorar. Sentir raiva, pena, amor...
      Mas foi só quando fui Mãe, quando senti este Amor maior do que eu, que percebi que também gosto de contar histórias. Muito. Ver os seus olhos brilhar, a respiração parar por segundos quando estou numa parte mais emocionante, rirem-se nos momentos divertidos e engraçados, ficarem sonolentos e tranquilos quando estou mesmo a acabar... é das sensações mais maravilhosas do meu dia. O final perfeito.

Daí que este meu novo livro – o quarto – seja novamente de histórias. Eu sei que o mundo não é cor-de-rosa, mas nas minhas histórias não há bruxas, bichos maus, ninguém quer comer, envenenar ou por ninguém a dormir para sempre...nas minhas histórias há miúdos com “dificuldades” de miúdos: neste caso, com dificuldades para comerem de forma variada, para comerem sem o tablet, para experimentarem alimentos novos...são histórias para divertir, mas também para descomplicar e para que os mais pequenos (e os pais) se revejam e consigam melhorar um momento que deveria ser feliz e tranquilo: o jantar em família.

Trabalho com pais diariamente sobre questões como o sono dos mais pequenos ou a forma como se alimentam. Parecem questões fáceis, mas quando não correm bem podem arruinar a harmonia de uma família. Daí que este livro seja para crianças e para pais. Para além disso, as ilustrações do Pedro Benvindo dão o toque mágico que todos os livros precisam e se arrancar gargalhadas a alguns e ajudar outros a encarar a comida de forma mais pacífica, eu fico muito feliz. Lá em casa as histórias foram todas testadas e...aprovadas. São contadas todos os dias da semana.
Ao domingo à noite torna-se tudo mais especial: são eles que as contam a mim.

Filipa Sommerfeldt Fernandes

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Para Os Mais Pequeninos: Mog, a Gata Esquecida


Uma gata esquecida, que faz disparates atrás de disparates, e que pensa que ninguém gosta dela é o mote para uma história engraçada, cheia de peripécias mas que tem um final feliz!

Mais um livro da Gata Mog para entreter os mais pequeninos! Já aqui vos falei de outro livro de Judith Kerr.

Espreitem algumas imagens para ficarem com uma ideia do conteúdo deste livro que constitui uma bonita prenda para este Natal que aí vem...





Cris

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

"Onde Cantam Os Grilos" de Maria Isaac

Esta é uma história contada por um adulto mas relembrando os seus tempos de menino, criado que foi numa imensa herdade, sem fim à vista. Pelo menos, os seus olhos de menino não queriam muito aproximar-se dos limites dessa herdade que lhe transmitia, assim, segurança e protecção. Nunca soube quem eram os seus pais nem tão pouco como tinha ali vindo parar. Isso não fazia diferença nenhuma. Crescera entre as salas dos patrões e os quartos dos criados e o relato dos acontecimentos é feito com a inocência de quem é criança e de quem deseja muito pertencer ao mundo dos adultos. Os seus segredos, as suas conversas e esse mundo dos crescidos constituiam uma tal tentação que o levavam a escutar frequentemente atrás das portas e em esconderijos secretos...
      Bem cedo o leitor apercebe-se que algo terrível aconteceu e que a tranquilidade vivida na herdade tem os dias contados. Mas o relato continua devagar, os pormenores revelados lentamente. A meio do livro as páginas voam com os segredos que julgamos descortinar... porque aos olhos de uma criança as verdades são dificeis de entender e é sempre nessa perspectiva que a história nos é contada. E, por vezes, aquilo que uma criança revela tem consequências que ela própria não sabe nem consegue prever.
      Entre o revelar acontecimentos e o mantê-los em segredo, a autora soube criar no leitor um interesse crecendo para que, no final, tudo fizesse sentido e tudo fosse explicado. Gostei da escrita contida mas clara, das palavras utilizadas, próprias e adequadas a um menino de 10 anos, que quer desesperadamente, sentir-se em família e que busca a compreensão e o amor. 

Recomendo!

Terminado a 3 de Dezembro de 2017

Estrelas: 5*

Sinopse
Formiga foi deixado nos degraus da casa da Quinta do Lago, ainda bebé, e desde então que nunca de lá saiu. O mistério da sua chegada são apenas mais algumas linhas acrescentadas à longa história da Quinta e que a assombra de lendas e maldições. São muitos os infortúnios das várias gerações dos Vaz, uma fonte inesgotável de mistérios fascinantes para a imaginação do rapazinho deslumbrado pela vida da família que venera com uma curiosidade atrapalhada. Formiga corre e trepa a árvores, empoleira-se em ramos, faz-se invisível, inventa um pouco de tudo para conseguir acompanhar conversas, ouvir mais uma palavra.

      Mas o último segredo que ele descobre revela-se demasiado grande para a curiosidade bem-intencionada de uma criança, e um erro põem fim à sua infância. Uma história doce e desengonçada, contada na voz de um adulto que fala pela criança que foi um dia.

Cris

domingo, 3 de dezembro de 2017

Ao Domingo com... Cláudia Cruz Santos

Nenhuma Verdade se Escreve no Singular é o meu primeiro romance e quando comecei a escrevê-lo não sabia ainda que se ia transformar num livro. Começou por ser só um conjunto de apontamentos num caderninho de notas que trazia na carteira e que aos poucos fui descobrindo que me ajudava a fugir do quotidiano e a fazer as pazes com a vida.
Nasceu por isso devagar e por acaso, suponho que como grande parte das coisas importantes que nos acontecem. Se quisesse dizer sobre o que é esta história, resumindo-a numa palavra, acho que escolheria “liberdade”. Está sempre em causa a sua procura, quer no plano colectivo de uma sociedade que pretenda ser mais humana, quer no plano individual dos desígnios de cada um.
Amália é o eixo deste livro e é uma juíza. Pelo seu tribunal passam pessoas que foram acusadas pela prática de crimes e que arriscam perder a liberdade se forem condenadas a uma pena de prisão. A juíza sofre cada vez mais com a dificuldade em encontrar uma única e inquestionável verdade que legitime essa decisão de prender, porque por trás de cada acontecimento existem pessoas com versões diferentes. Há demasiadas verdades, sobretudo quando Amália deixa de ver traficantes, homicidas ou ladrões e começa a confrontar-se com a diversidade dos respectivos percursos e com a especificidade dos vários problemas, perguntando-se se as respostas não deviam ser outras e mais diversas.
Por outro lado, na sua vida pessoal, Amália quer ser livre e estar com os outros, mas ainda não sabe como. Acredita que talvez possa encontrar algum sentido de resposta num quadro onde foi pintada uma mulher que está dentro de uma gaiola e que segura as chaves que poderia usar para se libertar. E vai à procura, seguramente dos outros, mas sobretudo de si mesma.
Também para mim este é um livro sobre a minha demanda pessoal de liberdade. Com ele escolhi, mesmo sem o saber no início, tornar-me em quem quero ser.

Cláudia Cruz Santos

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

A Escolha do Jorge: “Pequenos Delírios Domésticos”


“Há sítios no mundo que não estão lá.” (p. 69)

Vencedora por duas vezes com o Prémio APE de Novela e Romance, com as suas duas primeiras obras “Que Importa a Fúria do Mar” (2013) e “Não se pode morar nos olhos de um gato” (2016), Ana Margarida de Carvalho presenteia os seus leitores com o seu primeiro livro de contos, publicado recentemente. “Pequenos Delírios Domésticos”, título emprestado a partir de uma letra de Sérgio Godinho, a autora volta novamente a dar cartas no domínio das letras. Se os romances anteriores, pejados de grande fôlego, e revelando, aos poucos, uma escritora que se afirma no contexto da literatura portuguesa contemporânea, esta nova obra, apresenta uma escritora capaz de surpreender também no campo da narrativa breve.
      Partindo de histórias que têm eco na actualidade, nacional e internacional, Ana Margarida de Carvalho introduz-nos Man-hu-el, o jihadista português, treinado na Síria, que regressa a Portugal para cometer um atentado; Saadi, um refugiado sírio, que se faz passar pelo irmão, falecido no decurso da fuga para a Europa; Raji que serve de mediador entre um judeu e um palestiniano, no que concerne ao direito de posse da terra na Cisjordânia. Ou ainda a temática dos refugiados em massa que olham para a Europa como um porto seguro e que são engolidos no mar, nos muitos naufrágios que têm lugar no Mar Mediterrâneo.

      Estes “Pequenos Delírios Domésticos” reflectem, em inúmeras situações, a escrita jornalística da autora. Um olhar atento, crítico, interrogativo também, mostra-nos a realidade, tantas vezes absurda, surreal, mas também caricata, sem perder, no entanto, a oportunidade de esquartejar com a navalhinha da crítica o mundo louco em que vivemos.
     Quem fica indiferente aos múltiplos vídeos nos noticiários sobre a imigração clandestina em massa com que a Europa se defronta nos últimos anos? Perante imagens que nos incomodam ainda que nos deixem, na maior parte dos casos, sem saber como agir, também não ficamos indiferentes a reflexões como “Somos um caixote de caroços, lançados fora, náufragos dos nossos próprios corpos. E o mar, mesmo que não fertilize, está com uma disposição caridosa de acolher.” (p. 43)
      Nos recentes anos da crise vivida sob a égide da troika, foram vários os jovens que, não tendo nada a perder, sem valores, sem estudos, sem referências e já com uma adolescência marcada por pequenos e grandes delitos, aderiram ao jihadismo. Treinados no Médio Oriente e com células espalhadas em toda a Europa, Portugal não escapou à regra, tendo sido até detectada uma dessas células nos arredores de Lisboa. O conto “A troca” refere-nos algo que segue em linha com essa tendência. “Man-hu-el era o único português da companhia. Gabavam-lhe a frieza com que assistia aos chicoteamentos, aos decepamentos e às execuções, a rapidez a manejar armas de alta precisão, a firmeza dos dedos no garrote, a fidelidade com que decorava passagens sagradas. Aprendia rapidamente. Por isso, foi o reconvertido seleccionado para uma missão suicida, considerada de médio impacto.” (p. 23)
      A par deste género de episódios, à autora não escapa uma oportunidade para fazer a crítica social sobre os bairros periféricos da capital e do contraste entre ricos e pobres e pobres que se querem fazer passar por gente bem, mais não seja à conta de uma renovação da casa com o selo do IKEA. A crítica é igualmente extensível à forma como actualmente se faz jornalismo, um jornalismo pobre, de entretenimento das massas e que em nada promove a reflexão dos telespectadores, no caso da televisão, especificamente. É esta a herança jornalística de Ana Margarida de Carvalho que é transposta nestes contos, de forma magistral, como num outro excerto de “A troca”: “Abriu um pouco mais os cortinados, extravagantemente estilizados, que a mãe, sabendo do seu inesperado regresso, correu a comprar no IKEA, nada mais dissonante que o design nórdico estampado às janelas de um prédio-gaiola, quase todas as vidraças enjauladas, como se cada vizinho temesse a avidez do próximo e resguardasse dos outros a pobreza de cada um, num desses bairros que costumam aparecer nos noticiários, enxameados de muito adjectivo, advérbio, pontos de exclamação, tiros e alaridos vários, para entretenimento do espectador, bancada de telejornal.” (pp. 19-20)
      Delírios, devaneios ou estados de alma, a par de situações caricatas que estão no limiar entre a realidade e a ficção, a racionalidade e o absurdo, tornam este livro um verdadeiro deleite para o leitor. Contos como “O nome que te deram antes de nasceres” é provavelmente o mais hilariante e que se relaciona com os mistérios de Fátima e com um dilema, pertinente por sinal, para os habitantes locais. “Como é que pago uma promessa a Fátima, vivendo em Fátima? (…) E a solução chegou-lhe, enfim, tão límpida como uma manhã de Maio, depois do trovejar nocturno. A questão era complicar. Fazer o percurso de rastos, sim, havia de cumpri-lo, mas debaixo do chão. Através de um túnel” (p. 128) E o cumprimento da promessa vai conduzir a um “milagre”, a um acontecimento inusitado, mas esse ficará para o leitor saborear oportunamente.
      Para finalizar e dando um pouco a ideia de eterno retorno, o leitor é esgamado com “Chão zero”, o conto de abertura, que está relacionado com os incêndios de Outubro que devastaram por completo a casa dos bisavós da escritora, numa aldeia do concelho de Santa Comba Dão. É impossível ficar indiferente a este conto, dos mais breves do livro, mas com tanto sentimento, tanta nobreza, tantas memórias. As imagens da tragédia que assolou o país durante meses a fio, num Verão que parecia interminável, Portugal e fogo andaram de mãos dadas e todo um país mergulhou num luto que ainda hoje é incompreensível dados os acontecimentos recentes.
      Se o tempo nos arrasta e estica nas suas rodas com os olhos postos no futuro e num destino que se vai cumprindo, há algo em nós que olha para trás, que procura raízes, uma ordem, uma identificação, pessoal e familiar, cultural também, um passado, tantas vezes ancestral que já não nos pertence, mas que herdámos algo e ao qual pertencemos. A dada altura na vida, perante acontecimentos funestos ou porque a vida assim se nos impõe, procuramos esse Sebald que há em nós. As memórias associadas a objectos, lugares, cheiros, transportam-nos para um universo que procuramos compreender e que tantas vezes nos foge. A vida segue o seu curso rumo ao futuro, mas o passado, com tempo, deixa as suas marcas até porque, inevitavelmente, o procuraremos.
      “A minha infância é um esgoto atravancado de detritos. A minha infância tem esse cheiro a fumo nos cabelos e cinzas debaixo das unhas. Um cansaço granítico, uma velhice súbita nos pés. Não sei se estou dentro ou fora, se saí de ti, se entrei em ti, desconheço-te tão bem quanto te conheço. Perco-me cá dentro, entre restos, sobras, remanescências vãs, numa casa sem bússola, mas se conseguisse subir ao sótão talvez avistasse de lá a serra e a neve no cume, e reconhecia-te outra vez. Como se mantém a vista se não existe janela para me debruçar… Como me agarro ao corrimão de uma escada que já não há… Como avanço pelo corredor de sustos e escuridão, se ele está a céu aberto e não tem princípio, só fim… Como caminho nesta inexistência de chão, feita de vidros, pedras trituradas e pregos – foi o que restou… Como se faz para soterrar algo que me inclui…” (p. 11)

Texto da autoria de Jorge Navarro

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

"Para Lá do Inverno" de Isabel Allende

É facil gostar da escrita corrida e escorreita de Isabel Allende. Assim como é fácil entrar nas histórias que conta e nos personagens que retrata. Prima pela simplicidade nos diálogos e numa forte caracterização dos personagens que levam o leitor a conhecê-los em profundidade através desses mesmos diálogos.

Deste modo, é fácil dizer que se gostou do que se leu. Que se fez parte da história, que se viveu "dentro" dela. Um assassinato, três pessoas que se vêm envolvidas sem querer com um morto e está criado o mote para se falar, como pano de fundo, de um problema gravíssimo que assola quase todo o mundo, a migração clasdestina, o tráfico humano e as máfias que lucram com isso. Ah, e o amor, sempre o amor, que faz com que este romance possa parecer ligeiro. Isabel Allende não se esqueceu de colocar uma pitada de romance que sempre atrai o leitor e derrete o seu coração...

Gostei deste livro, contado num tom ligeiro mas que nos fala com profundidade de alguns problemas que assolam já há muito a nossa sociedade.

Terminado em 27 de Novembro de 2017

Estrelas: 5*

Sinopse
«No meio do inverno, aprendi por fim que havia em mim um verão invencível.»
Albert Camus 

Isabel Allende parte da célebre frase de Albert Camus para nos apresentar um conjunto de personagens próprios da América contemporânea que se encontram «no mais profundo inverno das suas vidas»: uma mulher chilena, uma jovem imigrante ilegal guatemalteca e um cauteloso professor universitário.

Os três sobrevivem a uma terrível tempestade de neve que se abate sobre Nova Iorque e acabam por perceber que para lá do inverno há espaço para o amor e para o verão invencível que a vida nos oferece quando menos se espera.

Para lá do inverno é um dos romances mais pessoais da autora: uma obra absolutamente atual que aborda a realidade da migração e a identidade da América de hoje através de personagens que encontram a esperança no amor e nas segundas oportunidades.

Cris